A história do Palácio da Pena não começa com um rei, mas com uma humilde capela medieval. O atual palácio de conto de fadas ergue-se no local de um antigo mosteiro Jerónimo, construído em 1503 por ordem do rei D. Manuel I. Este local religioso foi mais tarde devastado pelo terramoto de Lisboa de 1755 e abandonado, apenas para ser redescoberto e transformado em 1838 pelo rei-artista, D. Fernando II.

Origens medievais e o mosteiro

A história do local começa na Idade Média com uma capela dedicada a Nossa Senhora da Pena, construída num pico elevado da serra de Sintra após uma lendária aparição da Virgem Maria. Em 1503, o rei D. Manuel I, conhecido pelo seu patrocínio do estilo arquitetónico manuelino, ordenou a construção de um mosteiro no local para a Ordem de São Jerónimo. Durante séculos, foi um lugar tranquilo de contemplação para um pequeno grupo de monges.

A existência pacífica do mosteiro foi abalada em 1755. O Grande Terramoto de Lisboa, um dos mais mortíferos da história, reduziu o edifício a ruínas. Embora a capela tenha sobrevivido praticamente intacta, o resto da estrutura ficou abandonado e exposto aos elementos durante décadas.

A visão romântica de um rei

Em 1838, o jovem príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, que se tornou rei consorte D. Fernando II após casar com a rainha D. Maria II, adquiriu o mosteiro em ruínas e as terras circundantes. Homem culto e artístico, D. Fernando ficou cativado pela paisagem dramática de Sintra e pelo movimento do Romantismo alemão. Decidiu transformar as ruínas num magnífico palácio de verão para a família real.

D. Fernando recorreu à ajuda do barão Wilhelm Ludwig von Eschwege, um mineralogista e arquiteto amador alemão, para dar vida à sua visão. No entanto, o rei não foi um cliente passivo; participou ativamente no projeto, contribuindo com esboços e ideias. Idealizou um palácio que não se prendesse a um único estilo, mas que fosse uma fusão eclética e fantástica de influências, muito semelhante a um cenário de ópera.

Construção e design eclético

A construção começou por volta de 1842 e a estrutura principal foi concluída em 1854. O projeto incorporou de forma inteligente as partes sobreviventes do mosteiro do século XVI, que hoje formam a secção pintada de vermelho do palácio, frequentemente chamada de "Palácio Velho". Foi adicionada uma ala completamente nova, o "Palácio Novo", pintado de amarelo, com salas de aparato maiores e características mais grandiosas.

O resultado final é uma combinação deslumbrante de estilos:

De residência real a monumento nacional

O Palácio da Pena serviu como um apreciado refúgio de verão para gerações da família real portuguesa. Após a morte de D. Fernando II em 1885, o palácio foi adquirido pelo Estado português em 1889 para se manter ao serviço da família real. O seu papel como residência real terminou abruptamente com a Revolução de 5 de outubro de 1910, que derrubou a monarquia.

A rainha D. Amélia, a última rainha de Portugal, passou a sua última noite no país no Palácio da Pena antes de partir para o exílio. Após a revolução, o palácio foi declarado Monumento Nacional e convertido em museu, com os seus interiores preservados para refletir os últimos dias da monarquia. Em 1995, toda a Paisagem Cultural de Sintra, com o Palácio da Pena no seu coração, foi reconhecida como Património Mundial da UNESCO.

Perguntas frequentes

Quando foi construído o Palácio da Pena?

A construção principal do Palácio da Pena, tal como o vemos hoje, decorreu entre 1842 e 1854. Foi erguido sobre as ruínas de um mosteiro do século XVI que foi destruído no terramoto de Lisboa de 1755.

Quem construiu o Palácio da Pena?

O Palácio da Pena foi encomendado pelo rei D. Fernando II de Portugal. Ele colaborou com o arquiteto alemão, o barão Wilhelm Ludwig von Eschwege, mas o próprio D. Fernando foi a principal força artística por trás do projeto, o que lhe valeu a alcunha de "o rei-artista".

Porque foi construído o Palácio da Pena?

O rei D. Fernando II construiu o Palácio da Pena para ser uma romântica residência de verão para a família real portuguesa. Ele apaixonou-se pela região de Sintra e quis criar um refúgio artístico e de fantasia a partir das ruínas de um antigo mosteiro.

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